EMGFA vai reforçar a ciberdefesa com projetos de inteligência artificial
O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), através do Comando de Operações de Ciberdefesa, está a desenvolver duas soluções de inteligência artificial para reforçar a proteção dos sistemas digitais das Forças Armadas, permitindo identificar vulnerabilidades mais cedo e apoiar uma resposta mais rápida aos riscos no ciberespaço.
Os projetos “Digital Sentinel” e “AI Ethical Hacking” pretendem tornar mais contínua e automatizada a forma como são monitorizados os ativos digitais e avaliada a sua segurança. O objetivo é detetar mais cedo para agir mais depressa, reduzindo o tempo entre a identificação de uma vulnerabilidade e a sua mitigação.
O “Digital Sentinel” vai permitir acompanhar de forma contínua os sistemas, aplicações e serviços expostos no ciberespaço, recorrendo à inteligência artificial para apoiar a identificação de ativos e a análise e priorização de riscos. Desta forma, pretende-se obter uma visão mais atualizada da exposição digital das Forças Armadas e identificar mais rapidamente as situações que exigem atenção.
Já o “AI Ethical Hacking” vai automatizar e aumentar a frequência dos testes de segurança, procurando identificar vulnerabilidades antes que possam ser exploradas por potenciais atacantes. A solução está orientada para a realização recorrente de testes, identificação de riscos de maior gravidade e redução do tempo necessário à sua deteção.
Além de reforçarem a capacidade de prevenção, estas soluções vão automatizar tarefas repetitivas de recolha e análise de informação, permitindo às equipas de ciberdefesa concentrar os seus esforços nos riscos mais relevantes. A inteligência artificial funcionará como uma ferramenta de apoio, mantendo-se a supervisão humana sobre os resultados e a decisão operacional.
As novas capacidades estão a ser desenvolvidas para poderem beneficiar transversalmente os três Ramos — Marinha, Exército e Força Aérea. Desta forma, qualquer Ramo pode ser abrangido pela descoberta de ativos e pelos testes, e a arquitetura foi pensada para ambientes de rede distintos, incluindo redes segregadas.
Financiados a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência, os projetos representam um investimento global superior a 920 mil euros, contribuindo para o reforço da resiliência digital das Forças Armadas, reforçando a capacidade de prevenção, deteção e resposta a ameaças no ciberespaço, em alinhamento com as mais recentes exigências nacionais e europeias em matéria de cibersegurança.